domingo, 26 de janeiro de 2014

Sobre pagar a língua e o aniversário de São Paulo

Nunca foi novidade entre os meus conhecidos que eu não tinha a menor vontade de conhecer São Paulo. Tenho amigos que morrem de vontade de conhecer a terra da garoa. Eu nunca quis.
Sempre tive vontade de conhecer o Brasil. Romper as barreiras da minha queria Bahia e desbravar o país tropical. De Norte a Sul, de Leste a Oeste. Menos São Paulo.
Mas então, um dia a vida, essa linda que eu amo, vem na minha cara e faz PLAFT. Um dia a vida colocou na minha vida uma paulista, que em pouco tempo se tornou uma amiga. E pronto, estava escrito que eu pagaria a minha língua e iria até São Paulo.
E sabem de uma coisa, eu fui. E fui bem feliz. Porque a paulista que conheci me mostrou que eu estava errada e que os paulistas também são legais (obrigado aê, mina =] ). 
Passei alguns dias em São Paulo, poucos dias na verdade. Conheci pessoas ótimas, lugares incríveis e voltei com vontade de quero mais. Já me sinto desejosa de voltar, ainda tem muita coisa pra conhecer.

Então hoje é aniversário de São Paulo e eu quero desejá-la parabéns pelos seus 460 anos.

Quando eu estava na terra da garoa, a minha amiga, uma paulistinha bem engraçadinha, me deu um presentinho. Segundo ela eu amo São Paulo. Não chega a tanto mas, eu já gosto um bocado.



Não amo. Mas, já gosto muito.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A delicadeza de Antonie de Saint-Exupéry

"(...)   - Não - disse o príncipe. - Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
- É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidades um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... (...)
 (...)  A raposa retomou o seu raciocínio.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês lá longe os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... (...)
(...)  A gente só conhece bem as coisas que cativou - disse a raposa. - Os homens não tem mais tempo de conhecer coisa alguma. Compra tudo já pronto nas lojas. Mas, como não existe lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? - perguntou o pequeno príncipe.
- É preciso ser paciente - respondeu a raposa. - Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor se voltasses à mesma hora - disse a raposa. - Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três já começarei a ser feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas, se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual. (...)"                [O pequeno príncipe, 2009, p. 66-68]



E eu me encontro encantada com "O pequeno príncipe". Tanto que já ouvi falar mas, só agora tive a oportunidade de lê-lo. Essa "delicadeza" de livro que eu recomendo a todos.
O pequeno príncipe é esse tipo de livro que você vai lendo, lendo e quando percebe já terminou, de tão gostosa que é a leitura. Muito lindo mesmo, vale a pena.




"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

Ao que parece 2014 será uma graça de ano

Porque começou piadista e rindo da minha cara. 
Só te digo uma coisa queridinho, quem rir por último rir melhor. 
E tenho dito. #Rum

sábado, 4 de janeiro de 2014

Por que 2014 queria trazer 2011 de volta

E tem coisas que acontecem e são tão desnecessárias. Tipo coisas passadas que voltam apenas para te deixar confusa e para você perceber que cicatrizes não apagam. E por mais que você queira esquecer, ela sempre estará ali para te fazer lembrar.
E mesmo que você releve e perdoe você não é mais a mesma pessoa de alguns anos. O tempo passa, você vive novas experiências, amadurece, "se endurece" para algumas coisas e pessoas. E as coisas não podem mais ser como foram um dia.
E outro dia alguém me disse "eu prefiro esquecer, relevar e desculpar para não correr o risco de ficar sempre sozinha". Mas gente que necessidade é essa de estar sempre com alguém, mesmo que isso custe passar por cima de algumas coisas? Não sei se seria feliz assim. Aliás eu sei, eu não seria feliz assim e 2014 me trouxe a prova disso. Eu não conseguiria ser feliz convivendo com a sombra de uma mágoa. Por mais que eu tentasse.
Acho que então a necessidade de acontecer é essa, mostrar que tem coisas que não podem ser esquecidas e que graças a Deus eu não sofro dessa "necessidade" de estar com alguém a ponto de passar por cima de algumas coisas.
Por que tem coisas que não podem ser desculpadas.