quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ser Nordestino


"Ser nordestino é tirar de onde não tem e botar onde não cabe, para seguir a partilha poética de Pinto do Monteiro, monstro sagrado da Paraíba e arredores.
Ser nordestino é ser forte para ficar e ser mais forte ainda para ir embora e melhorar outras pessoas e lugares. 
Ser nordestino é ser “cabra macho”, mesmo sendo o maior gay do universo – afinal de contas, macheza não tem sexo, e o cu, não tem nada a ver com as calças.
Ser nordestino é ter poucas palavras no semiárido e ser um barroco labiríntico nas capitais.
Ser nordestino é só comer comida que faz merda e desprezar, naturalmente, as verduras e os frufrus. (embora eu não concorde).
Ser nordestino é falar o gerúndio sem o “d” – fazeno, bulino, mexeno, comeno, viveno... Eis o grande comum das nossas falas, prosódias e xenhenhéns. Escreveno, caminhano, cantano, sorrino, criano, existino... Não mudamos nem fudeno!"
[SÁ, Xico]

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