segunda-feira, 30 de julho de 2012

Eu sei, mas não devia


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
(...)A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.(...) 
(...) A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


Marina Colasanti

sábado, 28 de julho de 2012


Tudo o que ela queria era que os problemas sumissem.
Mandar essa vida de adulto para os ares e voltar a ser aquela menina que corria para o colo mais próximo quando as dificuldades apareciam, e ficava lá, quietinha, até que tudo tivesse sido resolvido.
Cansou de enfrentar tudo com a responsabilidade que a idade 
pede. Queria por alguns instantes voltar aqueles tempos em que sua preocupação  era centrada apenas nos estudos. Nada de ser dividida com tantas outras coisas. Tempos bons aqueles, como diz a tão conhecida frase, era feliz e não sabia.
Se arrepende tanto de todas as vezes que desejou que o tempo passasse depressa para que, a tão sonhada fase adulta chegasse logo. Mal sabia ela que assim que essa fase chegasse desejaria que o tempo voltasse. Contudo, apesar de desejar ela sabe que, infelizmente, o tempo não volta, apenas segue.
Mas hoje, só por hoje, ela queria um colo onde pudesse se aconchegar e esquecer, nem que fosse por alguns segundos, dos problemas que tem que enfrentar. E ficar ali quietinha, como em um porto mais que seguro.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ando sumida.
É que a vida anda corrida. E eu, sem tempo.
Mas ainda estou por aqui =D
Em breve novos posts.